O custo da vaidade feminina Por Ciça Vallerio As brasileiras só perdem para as argentinas no ranking das mais vaidosas, entre as 23 mil mulheres entrevistadas em 24 países. É o que aponta pesquisa realizada pela Avon, uma das maiores multinacionais na área de cosmético, no ano passado, mas só divulgada no início do mês. "Quando querem se dar um mimo, elas compram roupas, arrumam os cabelos, vão à manicure e compram um novo perfume - assim, nessa ordem", fala Rossana Sadir, diretora de planejamento estratégico da marca no Brasil. "Em outros países, 23% preferem comer fora e 20%, tomar um banho quente", afirma ela. Independentemente das diferenças sociais, culturais e econômicas, 90% das mulheres pesquisadas realizam algum esforço para melhorar a aparência. Em princípio, elas buscam alternativas saudáveis, como beber muita água, ter alimentação equilibrada, fazer exercícios e dieta para perder peso. Mas a maioria também aposta nos benefícios dos cosméticos: 82% consideram produtos de beleza uma necessidade, não um luxo. Entre as mil brasileiras entrevistadas - em São Paulo, Porto Alegre (RS) e Recife (PE), de 15 a 64 anos, e diversas classes sociais -, 45% afirmam que fazem muito esforço para melhorarem a aparência física. Mundialmente, esse índice cai para 29%. Em sua rotina diária, elas investem mais tempo cuidando dos cabelos (44%) e das roupas (26%). Os dados fazem parte da 4ª edição da Avon Global Women's Survey. Os cabelos ganham atenção dobrada entre as brasileiras. Segundo Rossana, as madeixas funcionam como importante item de sedução. Não é à toa que o mercado voltado para o tratamento capilar tornou-se um dos maiores no mundo. "Mas também é uma maneira rápida e barata de mudar a aparência, afinal, com R$ 150 se tem acesso a um bom cabeleireiro, mas não se compra uma roupa de grife", observa. Outra peculiaridade das brasileiras: a maioria (86%) se permite pequenos luxos com cuidados pessoais. Só não fazem mais por falta de recursos. Mundialmente, esse índice é de 65%. Apesar das limitações econômicas, as brasileiras investem em produtos contra o envelhecimento. No ranking mundial, elas são as primeiras a identificar sinais do "envelhecimento" - 19%, entre 15 e 24 anos.
BOXE 1 VAIDADE EXTREMA Rúbia Araújo, 26 anos, gerente operacional. Gasto mensal: R$ 1.200. Hidratação, escova, manicure e pedicure toda semana; drenagem linfática (duas vezes por semana), depilação a cada 15 dias, podólogo (duas vezes por mês), compra de cremes corporais e faciais, além de perfumes. "Sou extremamente vaidosa. Abro mão de uma porção de coisas para cuidar de mim mesma. É o presente que me dou. Sou daquelas que, se uma espinha aparecer no meu rosto, cancelo compromisso, deixo de sair e evito visitar clientes. Meu namorado acha que exagero às vezes, mas já se acostumou. Sou assim desde pequena. Não ia para a escola sem passar um brilho nos lábios. Na escola, me apelidaram de Penélope Charmosa e, na academia, de Barbie Ginasta (risos). Todo dia faço esfoliação corporal durante o banho e já passo creme antienvelhecimento ao redor dos olhos. Carrego comigo, para onde quer que eu vá, uma maletinha que chamo de SOS da beleza. Tem de tudo, de secador para espinha a pinça. Além de ser um prazer ficar bonita, trabalho em uma feira de beleza (Beauty Fair), portanto, a imagem tem grande peso no meu dia-a-dia."
PRODUTOS IMPORTADOS Paola Robba, 43 anos, empresária. Gasta por mês R$ 650 com massagem (semanal), hidratação e luzes nos cabelos, manicure e pedicure (semanal), depilação (a cada 15 dias) e compra de produtos de beleza importados. "Não tenho muito tempo para me cuidar, pois me divido entre meu trabalho, filhos e outras atividades. De manhã, passo apenas um protetor solar no rosto e saio para a luta. À noite, acabo me dedicando mais à beleza. Depois do banho, passo meus cremes faciais e corporais. Toda semana, minha massagista vai em casa fazer um mix de drenagem linfática e shiatsu. Ao mesmo tempo em que relaxo, trato da celulite. Adoro cremes, mas sou supercomedida. Compro quando viajo para fora do País e abasteço meu estoque. Pago mais caro, mas eles duram mais. Gosto também de autobronzeadores com vitaminas. Costumo usá-los no inverno, para tirar aquela cor abatida do rosto e corpo. Adoro me cuidar, mas não deixo que beleza se torne o foco da minha vida."
PREVENÇÃO E CONTROLE DE PESO Bel Mota 26 anos, modelo e apresentadora. Gasta R$ 550 por mês com a beleza. Hidratação e produtos para os cabelos, manicure e pedicure (toda semana); produtos manipulados para corpo e rosto, indicados por dermatologista; drenagem linfática a cada 15 dias e creme anticelulite. "Me cuido desde menina. Faço tratamento anti-rugas desde os meus 20 anos. Sempre apostei na prevenção, que é mais barato do que investir fortunas para consertar. Nunca perdi, por exemplo, o controle da balança para entrar na loucura das dietas, dos cremes e aplicações careiras para perder medida... Cosmético para mim funciona na manutenção da beleza, não como milagreiro. Por isso, tenho um custo mensal tranqüilo, apesar de trabalhar com minha imagem - o que me obriga a estar sempre impecável. Desde nova, sempre apostei em alimentação equilibrada, atividade física, enfim, em uma vida saudável. Corro, faço musculação e pilates. Dessa maneira, a beleza vem de dentro para fora. É o reflexo de tais atitudes. Aprendi com minha mãe e também passo isso para meu filho, que hoje tem 7 anos. Nunca fui muito ligada em roupa, afinal, quando estamos legais, qualquer peça cai bem."
CABELOS: PRIORIDADE Erica Mutton, 25 anos, personal trainer. Gasto mensal: R$ 450. Inclui hidratação capilar toda semana, corte de cabelos a cada 15 dias, tintura, produtos para corpo e cabelos, depilação, banho de lua (técnica usada para clarear os pêlos do corpo), manicure (semanal) e pedicure (quinzenal). "Sempre tive cabelo comprido, mas, depois que decidi cortar, não consigo mais deixá-lo crescer. A cada 15 dias, atravesso a cidade para ir à minha cabeleireira dar uma acertadinha no corte. Até posso atrasar a depilação, mas cabelo é prioridade. Costumo gastar bem com produtos para o corpo e, principalmente, cabelos. Adoro pomadas modeladoras - baratas ou caras, compro para experimentar. Quando entro nessas megalojas de beleza, faço um estrago (risos). No rosto, uso o básico: hidratante e protetor solar. Maquiagem, no máximo, gloss e lápis de olho, apesar de ter um arsenal em casa. Invisto no meu visual. Meu cabelo sempre está arrumadinho e minha roupa de ginástica, sempre combinando. É um prazer se cuidar."
SEM ANOTAR OS GASTOS COM A BELEZA Gisleine da Cruz Pereira, 33 anos, assistente de atendimento em agência de publicidade. Gasta por mês R$ 350 com: manicure (toda semana), pedicure (a cada 15 dias), depilação; escova (duas vezes por mês), hidratação, tintura e relaxamento nos cabelos, além da compra de produtos de beleza, principalmente cremes para os cabelos. "Nossa, fiquei até assustada com esse valor porque a gente nunca anota os gastos com beleza. Fora as idas ao salão, nunca deixo de comprar produtos. Adoro comprar batom, esmaltes e sombras. Fico atenta às novidades. Mais do que o corpo, invisto muito no meu cabelo. Além da hidratação no salão, religiosamente, aos domingos, faço meu ritual: passo creme, coloco touca e depois seco. Por mais cansada que esteja, não deixo isso de lado. Não sou escrava, não me privo de sair para ficar cuidando de mim. Nem gastaria mais se tivesse mais grana. Curto estar bem, olhar no espelho e ficar feliz. Se não estiver impecável durante a semana, fico mal-humorada. Vale a pena investir na beleza, faz bem para a auto-estima."
CUIDADO DIÁRIO COM A PELE Ailde Ferreira da Silva, 38 anos, empregada doméstica. Gasto mensal: R$ 65. Escova no salão (duas vezes por mês) e compra de produtos de beleza. "Não dá para gastar muito porque senão vou à falência (risos), mas, todo mês, sempre compro pelo menos um produto de beleza. Varia entre perfume e maquiagem, que adoro. Óleo para o corpo também não pode faltar: passo depois do banho e enxáguo. Se não dá para pagar à vista, faço em prestação. Pé e mão, faço em casa mesmo - e quebra bem o galho. Desde os 30 anos, uso toda noite creme contra envelhecimento no rosto. Não é porque sou doméstica que não vou me cuidar. Às vezes, toca a campainha e a gente tem de estar mais ou menos arrumada para atender. Quando vou à padaria, passo pelo menos um batom. Gosto de andar arrumada. No dia da minha folga, no fim de semana, capricho bem."